\“Comecei a me envolver com a história do autódromo em 2007. Na época eu era tesoureiro da Acic, na gestão do Guido Bresolin. Como a família do Guido também se envolveu no início da construção me inteirei mais do assunto. Percebi que o problema se arrastava por mais de 40 anos sem solução e havia muitas mágoas nesta história. Na época, o Geni Lago me procurou para ver o que podia ser feito, afinal eram 40 alqueires de terra dentro de Cascavel, uma verda deira fortuna que tinha proprietário, a S.A. Com o falecimento do Geni, vieram o Nelson Menegatti, Danilo Scanagatta, Nilo Rezende, Reni Pietti, Armindo Cavalca e o Dr. Lima. Foram muitas reuniões, muitas discussões e muita pesquisa, sempre com o objetivo de manter a atividade automobilística em Cascavel, preservando esta história, e também ressarcir os acionistas. Algumas famílias, a exemplo dos Beux e dos Cavalca, investiram muito lá, não apenas dinheiro, mas tempo e trabalho. Pensou-se, então, em inserir a atividade imobiliária. E, claro, havia diversos interesses por trás, incluindo o Automóvel Clube, que não pagava nada por aquilo. Como o Miguel trafegava nos dois ambientes (Automóvel Clube e S.A.), sugerimos que ele assumisse a presidência do Automóvel Clube, concomitantemente com a diretoria comercial da S.A.. E isso foi feito em 2008. Dívidas foram aparecendo, funcionários de muitos anos que às vezes recebiam, outras não, foram sendo pagos, ora com dinheiro emprestado pelo Miguel, ora pelo Nelson Menegatti, até que o Guido conseguiu uma linha de financiamento no Sicoob para dar sequência nos trabalhos. Houve uma conversa com o prefeito Edgar Bueno, mostrando a intenção de doar parte dos 40 alqueires para que a prefeitura tocasse a atividade automobilística, já que é muito mais fácil para o poder público conseguir recursos, bem como a criação de um loteamento na área às margens da BR 277. Houve a concordância, o prefeito assinou uma carta da compromisso. Uma das prerrogativas era que se mantivesse também o nome do fundador, Zilmar Beux. Depois de tudo acertado, houve a tentativa de retirar o nome, restringindo-o a Circuito Zilmar Beux. Isso foi revertido para a ideia original. Durante todo o processo, apareceram pessoas que não queriam a doação (tinham interesses próprios diante da possibilidade de comprar a área por valores irrisórios e depois vender). Falava-se em R$ 4 a 5 milhões. E, no dia em que a S.A. resolveu doar já estava avaliado em R$ 9 milhões. Em 2012, com tudo pronto, terreno doado para a prefeitura, escriturado, loteamento constituído, começamos a vender. De agosto de 2012 a abril de 2013, tínhamos vendido 28 terrenos. A prefeitura ficou com dois terrenos para acesso nas pontas e nenhum no meio, onde está o túnel, não levando em conta a orientação de que precisaria deste acesso. Numa situação emergencial da Fórmula Truck, invadiu o tal terreno e fez cerca. Para se ter uma ideia, quando iniciamos o procedimento, em 2007, eram 94 acionistas. Hoje, tem quase 250. Muitos faleceram e passaram para os herdeiros. Até hoje tem família que não fez inventário e não recebeu seus dividendos. Alguns herdeiros nem sabiam. Enquanto isso, a S.A. não pode ser desconstituída. Mas esta história tem mais um capítulo. Depois de a área ter sido doada para a prefeitura, houve a publicação de dois decretos, tornando-a disponível para fins de desapropriação e atividade pública, englobando 15 dos 34 terrenos. O primeiro decreto vence em fevereiro de 2018 e o segundo em julho do mesmo ano. Aí a prefeitura, por um período de um ano, não pode mais decretar de utilidade pública. O atual prefeito, Leonaldo Paranhos, está aberto para a resolução do problema. Estamos tendo mais diálogo e alinhando algumas questões. Não tem um ponto final ainda, mas há uma expectativa positiva. Acredito que cumpri minha missão nesta etapa, pois hoje 85% da situação está resolvida\”.
CLAUDIO BRUNETTO Contador. Ele teve papel importante no processo de doação do terreno do autódromo para a Prefeitura de Cascavel e também na criação do loteamento para ressarcir acionistas e herdeiros