Até 2006, havia uma lacuna entre a história contada pela mídia “manipulada” e a realidade dos fatos. Esse “buraco” me incomodava porque eu queria contar essa história não apenas com palavras, mas ancorado por fotos, recortes dos jornais de Cascavel e documentos. Um ano depois da morte do meu pai, eu estava em Curitiba e aproveitei para visitar a tia Cleonice, cunhada dele, que eu não via há anos. Ela tinha uma loja na capital e, quando me viu entrar, ficou trêmula. Quase desmaiou com a minha presença. Refeita do susto, confidenciou que viu meu pai entrando, tamanha a minha semelhança com ele. Neste momento, me presenteou com algo precioso: um feixe de documentos guardados há mais de três décadas que, misteriosamente, caiu de uma estante sem que ninguém estivesse na biblioteca. Ali, numa pilha de papéis esquecidos pelo tempo, em jornais da época, estava a outra parte da história sobre a construção do autódromo, ou seja, as provas originais que faltavam para reconstituir os fatos sem deixar margem para dúvidas, contestação ou máinterpretação. Diante disso, eu senti que do outro lado “alguém” desejava recontar esta saga. Neste momento tive a certeza de que deveria publicar esse livro.